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Mesmo com tensões geopolíticas, faturamento do agro brasileiro com exportações cresce 6,2% no 1º semestre de 2026

Levantamento do Cepea/Esalq-USP mostra receita de US$ 87 bilhões entre janeiro e junho, puxada por China, Índia, União Europeia e países do Golfo — enquanto as vendas aos Estados Unidos recuaram 25%.

O agronegócio brasileiro segue registrando avanços tanto no campo quanto nas vendas externas, mesmo diante das dificuldades impostas pelo cenário geopolítico internacional, que tem provocado fortes oscilações nos preços do petróleo e, consequentemente, nos custos de produção. É o que aponta levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Siscomex).

Na primeira metade de 2026, o faturamento em dólar com as vendas externas do agronegócio brasileiro chegou a US$ 87 bilhões, alta de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi puxado sobretudo pelas vendas à China, à Índia, à União Europeia e aos países do Golfo.

Produção em alta dentro da porteira

Dentro da porteira, a safra de grãos 2025/26 do Brasil atingiu novo recorde. Para o café, a colheita da temporada 2026/27 também deve ser recorde, embora possa apresentar menor qualidade em algumas regiões por causa do clima chuvoso. A cana-de-açúcar, por sua vez, vem apresentando rendimento satisfatório.

Entraves no comércio internacional

Com a oferta brasileira em bons patamares, os principais entraves para as exportações do agronegócio em 2026 têm sido o aumento no preço do frete, as dificuldades logísticas globais — como a interrupção do tráfego de navios no Estreito de Ormuz — e a política tarifária dos Estados Unidos.

O desempenho do primeiro semestre só não foi maior porque as exportações brasileiras do setor recuaram para alguns destinos importantes, como Emirados Árabes Unidos e Iraque. O destaque negativo, no entanto, foi a queda nos envios aos Estados Unidos, que resultou em retração de 25% na receita obtida com as vendas para aquele país.

Volume compensa queda no preço médio

O avanço no faturamento esteve atrelado principalmente ao maior volume exportado: o montante cresceu 7,5% na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período do ano passado, enquanto o preço médio em dólar caiu 1,2%.

Os produtos que mais cresceram em volume exportado foram o óleo de soja (+30%), o milho (+22%), a carne bovina (+15%), a carne suína (+10%), a carne de frango (+14%), o algodão (+21%), a soja em grão (+7%) e o farelo de soja (+11%).

China segue como principal parceira

As exportações do agronegócio brasileiro para a China continuam crescendo em 2026. No acumulado do primeiro semestre, o valor em dólar obtido com as vendas para os chineses ficou 10% acima do registrado no mesmo período de 2025 e representou 35% de todo o faturamento do semestre.

A China gastou mais de US$ 30 bilhões com a aquisição de produtos do agro brasileiro no período, sendo que 66% desse valor foi usado para comprar produtos do complexo da soja. Outros itens importantes na pauta de compras chinesa foram a carne bovina in natura — que respondeu por 53% das vendas externas totais desse produto brasileiro —, a celulose, com participação de 48% nas vendas totais do Brasil, e a carne suína, com 8%.

O complexo soja, carnes e florestal representou mais de 90% das vendas brasileiras para o país asiático neste ano.


FONTE: Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) — Esalq/USP

Redação

Agro101

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