As cultivares BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF foram desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a empresa Lynt5602era. As duas resistem ao nematoide das galhas, à ramulária, à bacteriose e à doença-azul. A BRS 810 é indicada para o Maranhão, entre outros estados.
A Embrapa lançou duas novas cultivares de algodão que unem alta produtividade e resistência a doenças e nematoides, vermes microscópicos que atacam a raiz das plantas. Os materiais foram desenvolvidos em parceria com a empresa Lyntera e divulgados em 22 de setembro.
Segundo a Embrapa, a BRS 510 B2RF pode render cerca de 7,6 toneladas por hectare na primeira safra e mais de 5,3 toneladas na segunda. Já a BRS 810 B3RF fica em torno de 7,3 t/ha na primeira safra e 5,2 t/ha na segunda. A instituição ressalta que esses resultados não são garantia de rendimento em toda propriedade, porque dependem do clima e do manejo.
As duas cultivares resistem ao nematoide das galhas, que pode causar perdas de até 50% na produtividade. A BRS 510 resiste também ao nematoide reniforme, cujos prejuízos passam de 60% em áreas muito infestadas.
Elas também resistem à bacteriose, à doença-azul e à mancha de ramulária. Essa última pode tirar de 25% a 35% da produção e passar de 70% nos casos mais graves. Segundo Nelson Suassuna, fitopatologista da Embrapa Algodão, o controle da ramulária pode exigir de oito a dez aplicações de fungicida por safra.
“Essas cultivares podem ser aliadas importantes nessas regiões de alta pressão de nematoides e doenças”, afirma Suassuna. Para o pesquisador Camilo Morello, coordenador do programa de melhoramento do algodoeiro da Embrapa Algodão, os materiais melhoram a sanidade da lavoura, reduzindo riscos e, possivelmente, o gasto com defensivos.
A BRS 810 é indicada para o Maranhão, além de Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Piauí, Tocantins, Minas Gerais e Paraná, respeitando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). As sementes são vendidas pela Lyntera, de Formosa, em Goiás.
Para o produtor maranhense, a novidade chega num momento em que o algodão volta a ganhar espaço no estado. Em Alcântara, a comunidade quilombola São Maurício colheu em setembro a primeira safra do projeto Algodão da Liberdade, que cultiva algodão agroecológico junto com milho, feijão, mandioca e hortaliças, atendendo 27 famílias. As cultivares novas são transgênicas e voltadas à lavoura comercial, ou seja, não entram nesse sistema agroecológico. Mas as duas frentes mostram o mesmo movimento: o algodão voltando a gerar renda no Nordeste.
O algodão brasileiro ganha sementes mais resistentes, e o Maranhão está entre os estados indicados. Vale conversar com a assistência técnica antes de escolher a cultivar para sua área.
02FONTE:
Embrapa Algodão, via CompreRural
