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Crise no Mar Negro faz trigo disparar no mundo e sustenta alta no Brasil

Com os embarques praticamente parados no Mar Negro desde julho, o trigo subiu 40% em Chicago desde junho. No Brasil, o cenário externo e uma safra menor, com qualidade prejudicada pelas chuvas, mantêm as cotações em alta e podem pressionar pão, massas e biscoitos nos próximos meses.

A crise no transporte de grãos pelo Mar Negro, em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, está encarecendo o trigo no mercado internacional e já se reflete no Brasil. Desde as mínimas de junho, os contratos futuros do cereal na Bolsa de Chicago subiram 40% e chegaram ao maior patamar em três anos e meio, segundo a agência Reuters.

Ataques a navios e portos praticamente paralisaram os embarques na região desde julho. Pelas estimativas da Kpler, a Rússia deve exportar cerca de 1 milhão de toneladas em setembro, contra 5 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citados pelo Cepea, mostram que os dois países somaram mais de 29% das exportações mundiais de trigo nas últimas cinco safras.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário internacional deu sustentação às cotações brasileiras. Em agosto, a tonelada teve média de R$ 1.429,23 no Paraná e de R$ 1.440,35 em São Paulo. Os preços voltaram a subir em setembro também por causa da safra nacional menor: o excesso de chuvas e as doenças prejudicaram as lavouras, e já aparecem lotes de qualidade inferior no Paraná e em São Paulo.

Com menos trigo nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê importar 7,1 milhões de toneladas entre agosto de 2026 e julho de 2027. A Argentina segue como principal fornecedora do país. O grão argentino, porém, também passou a ser procurado por moinhos da Indonésia, que tentam substituir as cargas do Mar Negro.

Para o consumidor, o repasse ao pão, às massas e aos biscoitos não deve ser imediato nem igual em todo lugar, já que o trigo é só uma parte do custo. Uma alta prolongada, contudo, pode pressionar esses preços nos próximos meses.

Para quem planta trigo, o momento é de preço firme, mas a vantagem deve ficar com quem entregar grão de boa qualidade. Por isso, separar e classificar os lotes na colheita faz diferença no valor recebido. No Maranhão, o reflexo tende a aparecer no bolso de quem compra farinha e derivados. Famílias do campo, padarias e pequenos comércios que usam o produto devem acompanhar os preços nas próximas semanas e, se possível, planejar as compras com antecedência para evitar surpresas no custo.

O preço do pão no Brasil também sente o que acontece no mercado externo. Nos próximos meses, o rumo vai depender dos embarques no Mar Negro, da colheita no Hemisfério Sul e da qualidade da safra brasileira.

FONTES:
CNN Brasil / Reuters; Cepea (Agromensal), via Agrolink; Pensar Agro, reproduzido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo)

Redação

Agro101

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