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Arroba do boi gordo bate recorde com volta da China e cota dos EUA

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou em R$ 376,30 por arroba, alta de 3,29% no mês. A retomada dos abates para a China, a cota extra de 300 mil toneladas sem tarifa nos Estados Unidos, os custos altos e a menor oferta de animais explicam a valorização.

A arroba do boi gordo vem quebrando recordes de preço nos últimos dias, numa alta mais forte do que a esperada para esta época do ano. Na quinta-feira (8), o Indicador do Boi Datagro em São Paulo chegou a R$ 376,13. Uma semana antes, estava em R$ 367,02. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou em R$ 376,30 por arroba, alta de 3,29% no mês.

Parte da valorização vem da volta gradual dos abates para atender a cota da China de 2027 e da menor oferta de animais, por causa do ciclo de baixa da pecuária. O impulso extra veio dos custos de produção mais altos e da cota adicional de importação anunciada pelos Estados Unidos.

Desde 1º de setembro, os americanos liberaram 300 mil toneladas de carne bovina magra sem tarifa para países que já são fornecedores, como o Brasil. Em setembro, o país embarcou 48,3 mil toneladas para os EUA, 389% a mais que no mesmo mês de 2025, o maior volume mensal em pelo menos três anos. Para Felipe Fabbri, analista de mercado da Scot Consultoria, esse ritmo deve continuar até o começo do ano que vem.

A China ficou quase três meses sem comprar, depois que o Brasil preencheu a cota de 1,1 milhão de toneladas livre da tarifa extra de 55%. Em setembro, os embarques para lá somaram só 12,9 mil toneladas, 93,2% abaixo de um ano antes. Agora, os frigoríficos voltam a preparar carne para chegar à China no início de 2027, dentro da cota do próximo ano.

Paulo Mustefaga, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), afirmou que a alta a partir de agosto e setembro já era esperada por causa do ciclo pecuário, mas não o custo de produção tão alto nem a cota americana. Segundo Fabbri, mais fêmeas estão sendo mantidas para reprodução, com o bezerro valorizado: R$ 3,3 mil em São Paulo, 17% acima de um ano atrás, de acordo com o Cepea. O volume de gado confinado em agosto e setembro também caiu em relação a 2025.

Para o pecuarista do Maranhão, o momento é de arroba valorizada, mas também de reposição cara. Os indicadores de referência estão em níveis recordes, enquanto quem precisa comprar bezerro paga mais. O dólar é outro ponto de atenção: segundo João Otávio Figueiredo, da Datagro, a queda recente da moeda americana reduz quanto os frigoríficos recebem em reais na exportação, o que pode limitar o valor pago pela arroba. O consumo interno, que fica com cerca de 65% da produção, também pode pesar, diante da expectativa de crescimento econômico baixo e do endividamento das famílias.

A combinação de oferta menor, China de volta e cota americana sustenta a arroba em alta. O produtor deve acompanhar o câmbio e os indicadores semanais antes de negociar o gado.

Fonte: Globo Rural.

Redação

Agro101

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