Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Agricultura familiar responde por parte relevante dos alimentos na mesa do maranhense

Levantamento do IBGE mostra que 85% dos estabelecimentos agropecuários do Maranhão são de agricultura familiar — a maior participação entre os estados do Nordeste. O segmento também domina a produção de mandioca, leite e feijão no país.

A agricultura familiar é a base da produção rural do Maranhão. Segundo último Censo Agropecuário, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — o levantamento mais recente disponível sobre o tema —, 85% dos estabelecimentos agropecuários do estado são classificados como agricultura familiar, o equivalente a 187.118 dos 219.765 estabelecimentos maranhenses recenseados. É a maior participação entre os estados nordestinos, segundo estudo acadêmico publicado pela Revista Econômica do Nordeste, do Banco do Nordeste, que também situa o Maranhão no topo do ranking regional.

O peso da agricultura familiar no Brasil

No cenário nacional, mostrou-se que a agricultura familiar responde por 77% dos estabelecimentos agropecuários do país e emprega mais de 10 milhões de pessoas — 67% de toda a mão de obra ocupada na agropecuária brasileira. Em termos de valor de produção, porém, a participação é menor: 23% do valor total gerado pelos estabelecimentos agropecuários do Brasil.

Essa diferença tem uma explicação simples: a agricultura familiar concentra a maior parte dos estabelecimentos e dos trabalhadores do campo, mas opera predominantemente em pequena escala, o que reduz sua fatia no valor total da produção quando comparada aos grandes produtores.

Onde a agricultura familiar é decisiva

Mesmo com participação menor no valor total, o setor é dominante na produção de alimentos que fazem parte do dia a dia da população. Segundo o IBGE, a agricultura familiar responde por 80% do valor de produção da mandioca no Brasil, 69% do abacaxi, 48% do café e da banana e 42% do feijão. O segmento também é responsável por 64,2% da produção de leite do país e concentra parcela relevante da criação de pequenos e médios animais: 70,2% dos caprinos, 51,4% dos suínos e 45,5% das aves pertencem a estabelecimentos familiares.

É comum encontrar a afirmação de que a agricultura familiar produziria “70% dos alimentos consumidos no Brasil” — um número que circula desde 2011, mas que analistas do setor, incluindo pesquisadores da Embrapa e do centro de estudos Agro in Data, do Insper, apontam não ter origem em um estudo específico e sólido. Análises mais recentes dos censos agropecuários mostram que apenas a mandioca e a carne bovina têm participação da agricultura familiar acima de 70% na produção nacional — o que reforça a importância real do segmento sem depender de um número genérico e impreciso.

O que isso significa para o Maranhão

Com 85% de seus estabelecimentos rurais classificados como agricultura familiar, o Maranhão depende diretamente desse segmento para movimentar sua economia rural, gerar renda no interior do estado e abastecer feiras, mercados e programas públicos de compra de alimentos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). É esse universo de pequenos produtores — muitos deles atendidos por programas estaduais como o Tempo de Semear e o Maranhão Sustentável — que sustenta boa parte do que chega à mesa do maranhense, mesmo operando, majoritariamente, em pequena escala.


FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Censo Agropecuário 2017, com dados complementares da Revista Econômica do Nordeste (Banco do Nordeste), da Embrapa e do Agro in Data (Insper)

Redação

Agro101

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *