Iêda de Carvalho Mendes, da Embrapa Cerrados, foi selecionada pela Forbes Brasil para a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, divulgada em 15 de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural. Ela lidera pesquisas da tecnologia BioAS, que incorporou indicadores biológicos às análises de solos. Outras oito profissionais da Embrapa também integram a lista.
A ciência do solo brasileiro ganhou destaque na Forbes Brasil. A pesquisadora da Embrapa Cerrados Iêda de Carvalho Mendes foi selecionada para a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, divulgada na quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. É a segunda edição da publicação, que reconhece mulheres que se destacam pelo poder, influência e impacto no agronegócio brasileiro.

Além de Iêda, outras oito profissionais da Embrapa integram a lista, entre elas a presidente da Empresa, Silvia Massruhá. A seleção reúne produtoras rurais, pesquisadoras, executivas, empreendedoras e lideranças institucionais de diferentes regiões do país.
Ao apresentar Iêda, a revista destaca sua liderança nas pesquisas que resultaram na BioAS (Bioanálise de Solos), tecnologia lançada pela Embrapa em 2020, que tornou o Brasil pioneiro na incorporação de indicadores biológicos às análises de rotina de solo. A BioAS usa a atividade das enzimas arilsulfatase e beta-glicosidase, ligadas aos ciclos do enxofre e do carbono, para avaliar a saúde dos solos agrícolas.
A Forbes também menciona sua participação na Plataforma Saúde do Solo BR, lançada durante a COP30, em novembro de 2025, em Belém (PA). A plataforma reúne informações sobre a saúde dos solos brasileiros para apoiar monitoramento, pesquisa e decisões de manejo sustentável.
Engenheira-agrônoma formada pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Ciência do Solo pela Oregon State University, nos Estados Unidos, Iêda ingressou na Embrapa em 1989. Em agosto, recebeu o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade, concedido durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).
Para a pesquisadora, estar na lista é uma honra e um reconhecimento da ciência como força de mudança na agricultura. Ela afirmou que, quanto maior a diversidade de pessoas pensando, pesquisando e decidindo, maior a capacidade de enfrentar os desafios do setor.
Para o produtor, a BioAS funciona como complemento à análise tradicional de fertilidade. A tecnologia avalia a atividade biológica do solo por meio de duas enzimas e permite identificar alterações ligadas ao manejo, informação que auxilia produtores e técnicos a adotar práticas mais sustentáveis. A Plataforma Saúde do Solo BR, acessível em saudedosolo.embrapa.gov.br, reúne informações sobre a saúde dos solos brasileiros para apoiar decisões de manejo sustentável. Na prática, o solo passa a ser avaliado também pela sua atividade biológica, e não só pela fertilidade.
O reconhecimento coloca em evidência o papel da pesquisa científica e das mulheres nos espaços de decisão do agro, e leva ao campo uma tecnologia que olha para a saúde biológica do solo.
FONTE: Embrapa Cerrados (Juliana Caldas)
