Joana Mousinho, de 70 anos, e Luena Pataxó, de 44, foram reconhecidas nesta quinta-feira (15), em Roma, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. As duas pescadoras artesanais foram homenageadas pelo trabalho na pesca, na organização comunitária e na defesa dos direitos das mulheres.
Duas pescadoras artesanais brasileiras entraram para a lista das 100 mulheres homenageadas pela FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, pela contribuição aos sistemas agroalimentares e ao desenvolvimento rural. A cerimônia aconteceu nesta quinta-feira (15), em Roma, na Itália, durante o Fórum Mundial da Alimentação, que em 2026 celebra o Ano Internacional da Mulher Agricultora.
Joana Rodrigues Mousinho, de 70 anos, e Luena Maria Ferreira dos Santos, a Luena Pataxó, de 44, foram indicadas pelo Ministério das Mulheres. O processo de escolha recebeu mais de 600 candidaturas, de mais de 131 países.
Joana pesca desde a infância no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, no litoral norte de Pernambuco. Em mais de 60 anos de trabalho, já capturou e vendeu peixes, camarões, mariscos e siris. Ela está entre as primeiras mulheres do país a obter o RGP, o Registro Geral da Atividade Pesqueira, e foi a primeira a presidir uma colônia de pescadores. Também participou da fundação da Articulação Nacional das Pescadoras e, em 2024, recebeu o Prêmio Mulheres das Águas, do Ministério da Pesca e Aquicultura.
No sul da Bahia, Luena preside a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip), no distrito de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália. Ela comanda ainda o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul baiano, que reúne oito municípios e 13 associações. Sob sua liderança, a entidade levou aos pescadores ações de segurança no mar e de geração de renda, principalmente para famílias que vivem da captura de camarão. Luena também criou o Grupo de Trabalho Indígena Nacional, dentro do Plano Nacional da Pesca Artesanal.
Conforme a CNN Brasil, Joana avaliou que a homenagem incentiva outras mulheres a ocuparem os espaços de decisão. Luena disse que o reconhecimento é de seu povo: “Somos os guardiões do meio ambiente”.
Segundo a FAO, as mulheres são 41% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares do mundo. Mesmo assim, enfrentam mais trabalho precário, condições ruins e menos acesso a direitos. Para a organização, ampliar os direitos e as oportunidades de renda delas ajuda na segurança alimentar e no desenvolvimento rural. A trajetória de Joana e Luena mostra a força da organização coletiva: foi por meio de colônias, associações e movimentos que as duas buscaram visibilidade e direitos para quem vive da pesca. Para pescadoras, marisqueiras e agricultoras do Maranhão, o exemplo reforça a importância de participar das entidades da comunidade.
A homenagem dá visibilidade internacional à pesca artesanal brasileira e reforça o papel das mulheres que tiram o sustento das águas, cuidam do território e mantêm vivos os saberes tradicionais.
Fonte: CNN Brasil
