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Alho importado mais barato leva produtor a cortar 15% da área, diz associação

Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), produzir um quilo no Brasil custa entre R$ 14 e R$ 16, enquanto o importado chega ao mercado por R$ 11 a R$ 12. Com as compras externas em alta de 9,1% em 2025, a entidade estima retração de cerca de 15% na área cultivada.

A concorrência com o alho estrangeiro está fazendo o produtor brasileiro plantar menos. A Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) estima uma queda de cerca de 15% na área cultivada nesta safra, cerca de 2 mil hectares a menos que na temporada anterior.

Segundo o presidente da entidade, Rafael Jorge Corsino, o problema está no custo. Produzir um quilo de alho no Brasil custa hoje entre R$ 14 e R$ 16, enquanto o importado chega ao mercado por R$ 11 a R$ 12. Ele aponta os impostos, os juros e a dependência de adubos e combustíveis importados como causas. Também afirma que já há agricultores vendendo abaixo do custo de produção.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o Brasil importou 158,8 mil toneladas de alho fresco ou refrigerado em 2025, alta de 9,1% sobre 2024. Foi a primeira alta depois de quedas entre 2020 e 2024. Em valor, as compras somaram US$ 228,9 milhões, 11,3% a mais. A Argentina continua como principal fornecedora, com 87 mil toneladas, mas as compras de alho da China cresceram 66,4% e chegaram a 67 mil toneladas.

O avanço chinês acontece mesmo com a taxa antidumping, usada contra produto vendido abaixo do preço justo. Desde setembro de 2025, o alho chinês paga US$ 0,78 a mais por quilo, além da tarifa de importação de 35% para o alho de consumo. A Anapa quer que o governo federal reveja ou encerre o compromisso de preço firmado com empresas chinesas. A entidade também pretende pedir investigação sobre o alho argentino e já denunciou às autoridades a suspeita de que alho chinês esteja entrando no Brasil pelo Egito.

Segundo a associação, se o cenário continuar, outros 2 mil hectares podem deixar de ser plantados na próxima safra. A entidade ainda estima a perda de cerca de 32 mil postos de trabalho com a retração da atividade.

Para o produtor do Maranhão e do Médio Mearim, o caso do alho mostra como o preço de um produto importado pode apertar quem planta no Brasil. Quando o custo de produção fica acima do preço de mercado, o lucro some e a área plantada encolhe. A situação também mostra por que as taxas sobre produtos estrangeiros entram no debate sobre a produção nacional. Para quem planta hortaliças e temperos, a lição é acompanhar os custos de perto, conhecer o mercado e se organizar em associações para ter mais força nas negociações.

O alho brasileiro tem tecnologia e qualidade, segundo o setor, mas o custo alto pesa na disputa com o importado. Os próximos passos dependem da resposta do governo aos pedidos dos produtores.

FONTE:
CNN Brasil

Redação

Agro101

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