Comitiva do Sebrae Nacional visitou, em 28 de setembro, as comunidades quilombolas de Itamatatiua e Frechal, no Maranhão. A agenda mostrou como o apoio à produção de cerâmica, a capacitação de mulheres e a primeira Sala do Empreendedor Quilombola do Brasil ajudam a gerar renda sem deixar de lado a cultura local.
Duas comunidades quilombolas do Maranhão receberam, na segunda-feira (28), uma comitiva do Sebrae formada pelo presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, pelo diretor-superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, e por gerentes da instituição. O grupo atravessou a Baía de São Marcos rumo a Alcântara para conhecer de perto como o empreendedorismo tem ajudado essas comunidades a gerar renda e manter a tradição viva.
A primeira parada foi Itamatatiua. Recebida ao som dos tambores das Caixeiras de Santa Tereza, a comitiva passou pelo Museu Quilombola e pelo Centro de Produção de Cerâmica, onde as artesãs mostraram cada etapa do trabalho, do preparo da argila à peça pronta. A acolhida foi feita por dona Neide de Jesus, liderança do território, que atribuiu ao Sebrae conquistas como o centro de produção e o museu.
A parceria com as artesãs, em sua maioria mulheres quilombolas, já passa de 30 anos. Elas participam do projeto Tambores de Inclusão. O espaço de produção foi reformado e ampliado, com novos fornos, tanques e equipamentos, e a loja foi reorganizada. Também houve capacitações e consultorias em gestão, e as peças chegaram à Feira do Empreendedor 2026, em São Luís, à Feira Inova Agro, em Pinheiro, e à Feira dos Empreendedores de Alcântara.
À tarde, o grupo seguiu para o Quilombo Frechal, em Mirinzal. Lá, o prédio que marcou a luta pela terra se transformou na primeira Sala do Empreendedor Quilombola do Brasil, fruto de parceria entre o Sebrae Maranhão, a Prefeitura de Mirinzal e o Governo do Estado. Segundo a agente de desenvolvimento Joselene de Jesus, o espaço foi pensado para atender produtores e associados da comunidade.
Na visita, foram entregues os kits do programa Força Mulher, que atende 20 mulheres do quilombo. Em outubro, elas iniciam um curso de ofício de doces e salgados.
A experiência de Itamatatiua e Frechal mostra que o saber tradicional, como o barro trabalhado à mão ou a cozinha da comunidade, pode virar fonte de renda quando vem junto com capacitação, organização e acesso a feiras. Para agricultores familiares, quilombolas, mulheres do campo e associações do Médio Mearim, o exemplo indica que buscar parcerias com instituições de apoio e com o poder público ajuda a estruturar a produção, melhorar a gestão e alcançar novos compradores, sem abrir mão da identidade da comunidade.
A visita reforça que tradição e renda podem caminhar juntas no campo. Em Frechal, o próximo passo é o curso de doces e salgados para 20 mulheres, previsto para outubro.
FONTE:
Agência Sebrae de Notícias (ASN Maranhão)
