O Instituto Nacional da Propriedade Industrial reconheceu na terça-feira (22) a Indicação de Procedência da aguardente de mandioca produzida em uma área formada por cinco municípios maranhenses, entre eles Urbano Santos. A conquista reuniu cooperativa, Sebrae, prefeitura e governo do estado, e pode valorizar a bebida no mercado.
A tiquira, aguardente feita só de mandioca, agora tem a origem maranhense protegida oficialmente. Na terça-feira (22), o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Tiquira do Maranhão o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, informou a Agência Sebrae de Notícias. Foi o segundo reconhecimento desse tipo conquistado pelo estado em setembro de 2026.
A área reconhecida reúne os municípios de Urbano Santos, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão, Barreirinhas e Santa Quitéria do Maranhão. Poderão usar a identificação os produtores dessa região que cumprirem as regras do Caderno de Especificações Técnicas, documento que define padrões de produção e de controle.
No centro da conquista está a Cooperativa dos Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (COOPTAF), criada em 2016 e hoje com 23 produtores. O presidente, José Neres Rocha Santos, o Zé Neres, é da quarta geração de uma família que faz a bebida e considera o reconhecimento uma vitória dos produtores.
O preparo tradicional leva de 12 a 22 dias e passa pela mandioca, pelos beijus, pela fermentação e pela destilação. O nome vem do tupi tykir, ligado à ideia de algo que cai gota a gota. Para comprovar essa história, foram reunidos 3.943 documentos, entre eles um relatório do Governo da Província do Maranhão de 1856.
A produção ganhou uma agroindústria em 2020, financiada pela Prefeitura de Urbano Santos, e registro no Ministério da Agricultura e Pecuária em 2022. O processo da IG teve apoio do Sebrae, do Governo do Maranhão, do IFMA, do IMESC e de outros parceiros. Para Luciana Barreto, analista do Sebrae Maranhão, o reconhecimento deve valorizar o produto e ajudar o produtor a conseguir um preço mais justo.
Para quem planta mandioca e faz derivados, a notícia mostra que um produto tradicional da roça pode ganhar proteção e valor quando os produtores se organizam. Com a IG, a tiquira da área reconhecida passa a ter origem garantida, o que pode ajudar a diferenciar a bebida e abrir novos mercados. Em Guaribas, o caminho passou pela cooperativa, pela padronização da produção e pelo apoio de instituições. A experiência serve de exemplo para produtores de outras regiões do Maranhão, inclusive do Médio Mearim, que também têm produtos com história e identidade local.
A tiquira mostra que tradição, organização e documentação podem virar valor no mercado. O desafio agora é garantir que os produtores da área sigam as regras para usar a identificação.
FONTE:
Agência Sebrae de Notícias – Maranhão (Assessoria de Comunicação)
