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Algodão maranhense perde área, mas ganha trilho: estado aposta na retomada da cotonicultura

Enquanto o Nordeste ultrapassa 1 milhão de toneladas de pluma pela primeira vez na história, o Maranhão recua e cai para o 6º lugar nacional. Em compensação, o estado inaugurou uma rota de exportação por ferrovia até o Porto de Santos e discute, em Balsas, como levar a cultura também ao pequeno agricultor.

O algodão brasileiro vive seu melhor momento, e o Nordeste está no centro dessa história. Segundo estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste (BNB), a região deve ultrapassar pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas de pluma na safra 2025/2026, chegando a 1.009,1 mil toneladas — volume 4% superior ao ciclo anterior. A área plantada regional cresceu 2,9%, somando 498 mil hectares, e a produtividade média do Nordeste, de 2.027 quilos por hectare, ficou acima da média brasileira, de 1.969 kg/ha.

No Maranhão, porém, o caminho foi o inverso. A área plantada recuou 7,3%, para 30,6 mil hectares, e a produção caiu 8,1%, para 54,5 mil toneladas. Segundo o levantamento, a alta dos custos de produção e a competição por área com soja e milho desestimularam o avanço da cotonicultura no estado, que ficou em sexto lugar no ranking nacional. A Bahia segue como segunda maior produtora do país, com 862,2 mil toneladas, e o Piauí assumiu a terceira posição nacional, com 87,6 mil toneladas e crescimento de 38,4%.

O cenário nacional ajuda a entender a disputa por terra. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2025/26 alcance 4,14 milhões de toneladas de pluma, o maior volume da série histórica, com alta de 1,5% sobre o ciclo anterior. O recorde veio mesmo com redução de 3,2% na área cultivada no país, estimada em 2,02 milhões de hectares, puxado por um salto de 4,9% na produtividade média, que chegou ao pico de 2.053 kg/ha. Em resumo: o Brasil está produzindo mais em menos terra — e quem não acompanha o ritmo de tecnologia perde espaço.

Mas há um movimento novo no Maranhão que pode mudar a conta nas próximas safras. A Brado e a SLC Agrícola realizaram a primeira operação multimodal de transporte de algodão do estado com destino ao Porto de Santos, em São Paulo. O embarque inaugural movimentou 246,2 toneladas de pluma, que saíram do município de Davinópolis, no Maranhão, de trem até Sumaré, em São Paulo, e de lá seguiram de caminhão até o porto, com destino ao Sudeste Asiático. A nova rota usa a Ferrovia Norte-Sul, que atravessa o país por mais de 2,7 mil quilômetros. Até então, grande parte da produção da região seguia por rodovia até portos do Sul e Sudeste — e frete mais barato significa mais dinheiro que sobra na lavoura.

A organização do setor dentro do estado também se mexeu. No dia 11 de setembro, Balsas sediou o IX Workshop de Resultados da Associação Maranhense dos Produtores de Algodão (AMAPA), reunindo produtores, consultores, pesquisadores e especialistas para discutir manejo de pragas, cenários climáticos e a consolidação do algodão maranhense nos mercados nacional e internacional. A entidade destacou a viabilidade da cultura na região e a expansão para além do cultivo em larga escala, alcançando também os pequenos agricultores. Segundo o coordenador executivo da AMAPA, Wellington Silva, o encontro funciona como uma prestação de contas do ciclo produtivo, que começa com o plantio em dezembro e se encerra com a colheita em agosto.

Na ponta da venda, o Nordeste também avançou: as exportações da região cresceram 11,5% em valor e 17,6% em volume no primeiro semestre de 2026, totalizando US$ 521,1 milhões. Bahia, Maranhão e Piauí responderam pela maior parte dessas vendas externas, com a Bahia elevando sua participação de 85% para 88% do total nordestino.

Para o produtor do Médio Mearim, o algodão ainda é lavoura do sul do estado, tocada em escala e com muita tecnologia. Mas o recado serve para qualquer cultura e qualquer tamanho de área: nesta safra, quem cresceu não foi quem plantou mais, e sim quem colheu mais por hectare. A conta que derrubou o algodão maranhense — custo alto e concorrência com soja e milho — é a mesma que o pequeno faz na hora de escolher o que semear. E a fala da AMAPA sobre levar a cultura ao pequeno agricultor é o ponto a acompanhar de perto: se vier acompanhada de assistência técnica e comprador garantido, pode abrir uma porta nova.

O algodão perdeu terreno no Maranhão nesta safra, mas ganhou trilho, porto e organização. Vale ficar de olho no que vem pela frente: o 15º Congresso Brasileiro do Algodão acontece de 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte.

FONTES:
Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene/Banco do Nordeste); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Associação Maranhense dos Produtores de Algodão (AMAPA); Brado; SLC Agrícola.

Redação

Agro101

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