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Técnica que barateia exame de tuberculose em pessoas, gado e alimentos recebe patente

Chamado RRTB, o método desenvolvido pela Embrapa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais dispensa aparelhos caros de laboratório. A tecnologia recebeu carta-patente do INPI, foi validada em Minas Gerais e agora depende de empresas parceiras e de submissão à Anvisa para chegar à rede de diagnóstico.

Um exame de tuberculose que dispensa aparelhos caros recebeu carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Batizada de RRTB, a técnica foi criada pela Embrapa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Ela pode ajudar a detectar a doença em pessoas, rebanhos e alimentos.

O exame de referência para acompanhar o tratamento, confirmar a cura e checar se a bactéria resiste aos remédios é a cultura da amostra, conhecida como método de Petroff. Ele, porém, exige centrífuga refrigerada e cabine de segurança biológica, o que limita o serviço aos grandes centros.

No RRTB, a amostra é descontaminada com um swab (haste flexível com algodão) e recebe uma solução neutralizadora própria, feita com ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio. Depois, segue para o meio de cultura Löwenstein-Jensen, o mais barato e mais usado no Brasil. Além do escarro, a técnica analisa líquidos do corpo como o líquor, o líquido cérebro-espinhal.

Num estudo-piloto com 77 amostras, a contaminação do cultivo ficou em 1,30%, contra 2,60% e 6,50% dos métodos convencionais. Em seguida, sete laboratórios de referência de Minas Gerais avaliaram 593 pares de amostras e confirmaram resultados equivalentes aos do método Ogawa-Kudoh. Nessa etapa, o uso foi ampliado para a tuberculose fora do pulmão, a tuberculose bovina, causada pela Mycobacterium bovis, e amostras de animais e alimentos.

Segundo o pesquisador Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite, o RRTB pode ser adaptado até por laboratórios menores em áreas rurais.

Por enquanto, o método está restrito a laboratórios de pesquisa e validação e ainda depende de submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF (Critt/UFJF) busca empresas para licenciar, produzir e distribuir a tecnologia.

Para quem cria gado de leite ou faz queijo artesanal no Maranhão e no Médio Mearim, o assunto merece atenção. A tuberculose bovina pode causar prejuízo no rebanho e passar para as pessoas, principalmente por alimentos feitos com leite cru. Um exame mais barato e possível de fazer fora dos grandes centros pode, no futuro, facilitar a vigilância da doença no gado e em produtos como o queijo. Mas é bom saber: a tecnologia ainda não chegou à rede de diagnóstico e depende de parceria com empresas e de submissão à Anvisa.

A pesquisa reforça que cuidar da saúde do rebanho e da segurança dos alimentos também protege as pessoas. O próximo passo é encontrar empresas interessadas em levar a tecnologia à rede de diagnóstico.

FONTE:
Embrapa Gado de Leite (Portal Embrapa), texto de Rubens Neiva

Redação

Agro101

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