Em um hectare irrigado com 1.500 mamoeiros, a produção chega a 400 caixas por mês e abastece redes de supermercado no Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí. Mesmo com o custo do combate à fusariose, o produtor relata margem de lucro de até 70% ao mês.
Um hectare bem manejado pode render o ano inteiro. É o que mostra a experiência de produção de mamão em Ribamar Fiquene, no oeste do Maranhão, onde investimento em irrigação e tecnologia tirou a lavoura da dependência do calendário de chuvas.
São 1.500 mamoeiros plantados em um hectare irrigado. A produção chega a 400 caixas de mamão por mês, comercializadas a R$ 50 a caixa — algo em torno de R$ 20 mil de faturamento bruto mensal. A fruta não fica na região: abastece redes de supermercado no Maranhão, no Pará, no Tocantins e no Piauí.
Nem tudo é céu de brigadeiro. A fusariose, doença causada por fungo, encareceu parte do custo de produção. Mesmo assim, o produtor relata uma margem de lucro mensal que chega a cerca de 70%.
O que permite colher o ano todo é a combinação de água e calendário. Com o sistema de irrigação instalado, o mamoeiro pode ser plantado em qualquer época do ano; sem irrigação, as mudas só vão para o campo no início das chuvas. Entre os métodos, a recomendação técnica aponta o gotejamento e a microaspersão, por serem formas de irrigação localizada e mais eficientes no uso da água — sistemas que a Embrapa cita entre as tecnologias que impulsionaram a produção brasileira de mamão. Somado a isso, o plantio em intervalos regulares mantém plantas em estágios diferentes e garante colheita contínua.
Para quem quer entrar na atividade, existe caminho de crédito. Com o CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar), o produtor acessa as linhas do Pronaf, inclusive as de investimento, usadas justamente para montar sistema de irrigação, formar o pomar e comprar equipamento. A inscrição no CAF é gratuita e feita presencialmente em entidade credenciada da Rede CAF. O documento substituiu a antiga DAP e é exigido também para programas como PAA e PNAE.
A orientação técnica está disponível de graça. A AGERP, agência estadual de extensão rural, e as secretarias municipais de Agricultura e de Meio Ambiente prestam assistência ao produtor. Vale procurar antes de investir: dimensionar irrigação errado custa caro.
o que fazer para começar:
- Regularize o CAF. Procure o sindicato rural, a AGERP ou uma cooperativa credenciada na Rede CAF do seu município. É gratuito e presencial.
- Confira o enquadramento no Pronaf. Entre os critérios estão não deter área superior a quatro módulos fiscais, residir na propriedade ou perto dela e ter na atividade rural a principal fonte de renda familiar.
- Peça o projeto técnico antes do dinheiro. O banco vai exigir projeto; a AGERP e a secretaria municipal ajudam a montar.
- Planeje o escalonamento. Divida a área em lotes e plante em meses diferentes, para não colher tudo de uma vez.
- Cuidado com a vizinhança da lavoura. Não plante abóbora, melancia, melão ou pepino perto do mamoeiro: essas culturas atraem pulgão, transmissor do vírus da mancha-anelar. Feijão e milho podem ser consorciados.
O recado para o Médio Mearim é direto: um hectare irrigado, bem manejado, pode sustentar uma família e ainda abastecer supermercado de outro estado. Não é o tamanho da área que faz a diferença, é a água garantida, o plantio escalonado e o comprador certo. Mas o número de 70% de margem é de uma lavoura específica, com custo, clima e mercado próprios — antes de sonhar com o lucro, faça a sua conta, com o seu custo de energia, de adubo e de frete.
Colher o ano inteiro é o que separa quem entrega na safra, junto com todo mundo, de quem entrega na entressafra e negocia preço. Procure a AGERP e a secretaria de Agricultura do seu município antes de abrir a primeira cova.
FONTES:
Mirante Rural (MA); Embrapa Mandioca e Fruticultura; Semadesc/MS; Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (CAF); Banco Central do Brasil (Manual de Crédito Rural — Pronaf)
