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Biomassa de cana já responde por 15% da oferta de energia do Brasil

Bagaço e palha de cana-de-açúcar, antes tratados como resíduo, hoje representam 73% da capacidade instalada de cogeração no país e se tornaram fonte extra de receita para as usinas sucroenergéticas.

A geração de energia elétrica a partir de bagaço e palha de cana-de-açúcar vem se consolidando como uma importante atividade complementar para as usinas sucroenergéticas brasileiras. Além de fornecer eletricidade para o funcionamento das próprias plantas industriais, a cogeração possibilita às usinas comercializar o excedente ao Sistema Interligado Nacional (SIN), transformando resíduos da produção de açúcar e etanol em uma fonte adicional de receita.

Como funciona a cogeração

O processo ocorre dentro da própria usina. O bagaço resultante da moagem da cana e a palha da colheita são utilizados como combustível nas caldeiras, que produzem vapor de alta pressão. Esse vapor movimenta turbinas responsáveis pela geração de eletricidade. De acordo com estimativas da StoneX, cerca de 35% da energia produzida é utilizada nas operações internas das usinas, enquanto os 65% restantes podem ser destinados à venda no mercado.

Fontes renováveis

A atividade também tem relevância para a matriz energética brasileira como um todo. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a biomassa da cana respondeu por 15,8% da Oferta Interna de Energia (OIE) do país em 2025. No mesmo ano, as fontes renováveis representaram 49,5% da oferta total de energia no Brasil.

A participação da cana é particularmente relevante dentro da geração de energia a partir de biomassa. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de fevereiro de 2026, indicam que o bagaço de cana já responde por 73% da capacidade instalada de cogeração no país. Segundo Letícia Correia, analista da StoneX, a geração está concentrada nas regiões onde a produção sucroenergética tem maior presença: Sudeste e Centro-Oeste reúnem 81% da capacidade de geração a partir de bagaço.

A expansão da atividade acompanha o crescimento e os investimentos do setor sucroenergético, que passou a enxergar a geração elétrica não apenas como forma de reduzir custos operacionais, mas também como oportunidade de diversificação das receitas.

Um adicional de receita ligado à época mais seca

A rentabilidade da cogeração está diretamente relacionada às condições do mercado de eletricidade. Um dos principais indicadores que influenciam a remuneração das usinas é o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência usada na contabilização da energia no mercado de curto prazo. Segundo a analista da StoneX, o comportamento do PLD é influenciado, entre outros fatores, pelas condições dos reservatórios das hidrelétricas, que ainda respondem por parcela relevante da geração elétrica brasileira.

Para as usinas de cana, essa dinâmica tem uma característica particularmente favorável: o período de maior disponibilidade de biomassa coincide com a época mais seca do ano. Entre maio e outubro, durante a estiagem no Centro-Sul, o nível dos reservatórios tende a exercer maior pressão sobre o sistema elétrico, e o PLD tende a ficar mais elevado — justamente no período em que as usinas estão no auge da safra e têm maior disponibilidade de bagaço para geração. Nas últimas cinco safras, o preço médio da energia no período seco ficou 12,6% acima do registrado no período úmido, de acordo com dados da CCEE, da Pecege e estimativas da StoneX.

Já entre novembro e abril, período de maior volume de chuvas e de entressafra em boa parte do setor sucroenergético, a média do PLD tende a ser menor, o que pode reduzir a receita obtida com a venda do excedente de eletricidade.

Resíduos que viraram estratégia

Para as usinas, a cogeração combina redução de custos, segurança energética e geração de receita adicional. Por isso, nos últimos anos, deixou de ser apenas uma etapa do processo industrial para ocupar um espaço estratégico na gestão financeira e energética do setor. Para o sistema elétrico como um todo, a bioeletricidade da cana acrescenta uma fonte renovável justamente em uma época do ano em que a geração hidrelétrica tende a enfrentar condições menos favoráveis.


FONTE: CNN Brasil (Luciana Franco), com dados da EPE, CCEE e StoneX

Redação

Agro101

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