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Brasil é o país que mais recicla embalagens de defensivos agrícolas no mundo, com taxa de 92%

Reportagem da Forbes Mulher Agro mostra que o Sistema Campo Limpo coloca o Brasil à frente de Europa, Canadá, Japão e Estados Unidos na devolução e reciclagem de embalagens vazias de agroquímicos.

O Brasil detém o título de país que mais recicla embalagens de defensivos agrícolas no mundo, com uma taxa de devolução e reciclagem em torno de 92%. A informação é de reportagem publicada pela Forbes, na editoria Forbes Mulher Agro, assinada pela jornalista Nina Plöger.

Segundo o levantamento, esse resultado coloca o agronegócio brasileiro à frente de outras potências agrícolas. A Europa, especificamente França e Alemanha, e o Canadá recolhem cerca de 70% das embalagens, usando sistemas parecidos de responsabilidade compartilhada entre fabricantes, agricultores e governo. O Japão recicla 50%, enquanto nos Estados Unidos a taxa é estimada em 30%, variando conforme a regulamentação de cada estado e as iniciativas de cada fabricante.

Um contraste com o restante do lixo brasileiro

A reportagem chama atenção para uma contradição: enquanto o agronegócio lidera globalmente nesse tipo de reciclagem, o Brasil como um todo ainda recicla pouco do seu lixo. De acordo com dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, o país gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2025. Desse total, apenas 9% foram reciclados — o equivalente a 7,1 milhões de toneladas — e 40% tiveram destinação inadequada.

Como funciona o Sistema Campo Limpo

No centro desse trabalho está o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade sem fins lucrativos formada pelas associações das indústrias de agroquímicos do Brasil. Conforme a reportagem, o inpEV não recebe subsídios do governo e foi criado pelo próprio setor do agronegócio para atender essa cadeia produtiva.

O sistema recolhe exclusivamente embalagens vazias de defensivos agrícolas, não abrangendo produtos de limpeza doméstica nem defensivos de uso urbano ou de jardinagem. Do total de embalagens recolhidas, cerca de 92% são encaminhadas para reciclagem, transformando-se em novas embalagens de defensivos agrícolas. Os 8% restantes, que por características do material não podem ser reciclados, recebem destinação ambientalmente adequada por coprocessamento (recuperação energética) ou incineração — o que faz com que 100% das embalagens devolvidas tenham destino ambientalmente correto.

Desde 2002, o Sistema Campo Limpo já destinou mais de 932 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, segundo a reportagem.

Mais de duas décadas de mobilização

O instituto também é responsável pelo “Dia Nacional do Campo Limpo”, que chegou à sua 22ª edição em 18 de agosto de 2026. A data integra o calendário nacional voltado à conscientização ambiental e à valorização da cadeia do agronegócio em torno da logística reversa dessas embalagens.

A empresa por trás da reciclagem

A reportagem também destaca a atuação da Campo Limpo, única empresa brasileira dedicada à fabricação de embalagens recicladas para defensivos agrícolas, que atualmente tem capacidade produtiva de 17 milhões de embalagens recicladas por ano. Segundo a Forbes, a empresa conquistou o Selo Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol, promovido pela FGVces, no ciclo 2025 — o mais alto nível de qualificação do programa —, em reconhecimento à sua contribuição para a mitigação das mudanças climáticas.


FONTE: Forbes Brasil (editoria Forbes Mulher Agro) — reportagem de Nina Plöger

Redação

Agro101

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