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Água quente acende alerta: calor favorece estreptococose e exige cuidado redobrado com a tilápia

Principal doença da tilápia no mundo, a estreptococose costuma causar surtos quando a água passa de 28 °C a 29 °C. Especialistas apontam ajuste da ração, menor densidade, oxigênio adequado e vacinação como armas para o piscicultor maranhense evitar perdas no período de calor.

Quando a água do viveiro esquenta demais, a tilápia fica mais exposta à estreptococose, considerada a doença que mais atinge a espécie no mundo. Os surtos são causados principalmente pela bactéria Streptococcus agalactiae. Segundo a cooperativa Copagril, eles costumam aparecer quando a água passa de 29 °C. Uma coluna técnica do portal Aquaculture Brasil coloca o risco a partir de 28 °C.

O calor pesa porque o peixe fica fora da faixa em que vive bem. Segundo Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados, a temperatura ideal para a tilápia vai de 25 °C a 30 °C. Acima disso, a água guarda menos oxigênio, o peixe respira mais rápido e o estresse enfraquece as defesas do corpo.

A Copagril explica ainda que a bactéria entra principalmente pela boca. Na água muito quente, a ração demora mais para ser digerida e pode fermentar no intestino, o que aumenta a chance de infecção.

O calor não age sozinho. Muitos peixes no mesmo espaço, pouco oxigênio e telas de tanque-rede sujas também favorecem os surtos. O maior prejuízo costuma ser nos peixes em fase final de engorda, justamente quando o tratamento com antibiótico fica mais caro.

O piscicultor deve ficar de olho nos sinais. Peixe doente pode apresentar pele escurecida, olhos saltados e manchas de sangue no corpo e nas nadadeiras.

Existem vacinas no mercado contra os tipos mais comuns da bactéria, aplicadas por injeção em tilápias com pelo menos 10 gramas. Mas um debate no IFC Brasil 2026 mostrou que só vacinar não basta. O resultado depende do diagnóstico, da qualidade da água, do estresse dos peixes e de a vacina combinar com o tipo de bactéria presente na criação.

O Maranhão produziu cerca de 59.600 toneladas de peixe em 2025, segundo o Anuário Peixe BR. Quase tudo foi criado em viveiros escavados, com predomínio de espécies nativas, mas também com tilápia. Para o piscicultor do Médio Mearim, os meses mais quentes, antes das chuvas, pedem atenção dobrada. Meça a temperatura da água de manhã e à tarde. Reduza a ração nas horas mais quentes. Evite povoar demais e não faça despesca nem manejo no pico do calor. Recolha logo os peixes mortos, que espalham a bactéria na água. Antibiótico, só com orientação de veterinário.

Com a água esquentando, prevenir custa menos que remediar. Termômetro, ração ajustada e boa oxigenação são os primeiros passos para atravessar o calor sem perder a produção.

FONTE:
Copagril; Aquaculture Brasil; Sounews (entrevista com Juliano Kubitza, Fider Pescados); O Presente Rural; MSD Saúde Animal; Anuário Peixe BR 2026

Redação

Agro101

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