No sudoeste goiano, produtores de Rio Verde combinam agricultura regenerativa, compras conjuntas de insumos e reorganização financeira para enfrentar custos altos e margens apertadas. As estratégias devem ser testadas na safra de soja 2026/27, já em plantio em Goiás, sob efeito de um El Niño de intensidade muito forte.
Clima incerto e custo alto têm levado produtores do sudoeste goiano a mudar a forma de trabalhar. Em Rio Verde (GO), agricultores apostam em práticas que cuidam do solo e em ajustes nas finanças para atravessar a safra de soja 2026/27, que já começou a ser plantada em Goiás.
Solo que segura água
O agricultor Paulo Buffon usa a agricultura regenerativa, conjunto de práticas que recupera e protege o solo. Entre elas estão o adubo orgânico e as plantas de cobertura, que baixam a temperatura da terra e guardam mais água para o próximo plantio. Com o El Niño, essas práticas podem fazer diferença se faltar chuva no Centro-Oeste. Mesmo assim, o produtor diz que o lucro ainda não melhorou: “Temos carregado margem zero e tivemos aumento de custos de produção”.
Comprar junto para pagar menos
Buffon faz parte do Grupo Associado de Pesquisas do Sudoeste Goiano (Gapes), que reúne 43 produtores e 200 mil hectares. O grupo mantém um instituto de pesquisa que ajustou a dose de cada insumo. Com a compra conjunta, o pacote sai até 30% mais barato e sem exigência de garantias, graças ao histórico de inadimplência zero dos associados.
Menos dívida, mais caixa
Na Fazenda Santa Cândida, Renata Ferguson assumiu uma propriedade endividada há cinco anos. Hoje, ela quitou as dívidas, banca o custeio com dinheiro próprio e mantém reserva de caixa. O financiamento ficou só nas máquinas. O milho plantado junto com braquiária e adubado com composto orgânico deve render prêmio de até R$ 6 por saca.
Buffon também reduziu o tamanho do negócio. Há dois anos, devolveu 2,5 mil hectares arrendados quando o dono quis subir o aluguel de 17 para 23 sacas de soja por hectare. Hoje planta 1,5 mil hectares em área própria.
Para o produtor, a lição de Rio Verde vale em qualquer região: cuidar do solo e das contas é tão importante quanto colher muito. Plantas de cobertura e adubo orgânico ajudam a terra a guardar água em anos de pouca chuva. Comprar insumos em grupo, por meio de associações e cooperativas, pode baratear o pacote. E manter reserva de caixa reduz a dependência de empréstimos com juros altos. Para o agricultor maranhense, organizar-se em grupo e controlar as despesas também pode fazer diferença no fim da safra.
Os produtores goianos mostram que resistir ao clima e aos custos exige planejamento. A próxima preocupação, segundo Buffon, é a reforma tributária, que deve mudar as regras a partir de 2027.
FONTE:
Globo Rural – reportagem de Rafael Walendorff
