Levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostra que, entre janeiro e agosto de 2026, o crédito comercializado para máquinas agrícolas somou R$ 15,48 bilhões, abaixo dos R$ 17,11 bilhões do mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o número de participantes subiu 3,8%, chegando a 477,55 mil.
O ritmo de entrada de produtores rurais em consórcios de máquinas agrícolas diminuiu em 2026. Levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), divulgado pela CNN Brasil, aponta queda nas novas adesões e no volume de crédito entre janeiro e agosto.
Segundo a entidade, a venda de novas cotas de veículos pesados, segmento em que as máquinas agrícolas respondem por 51%, recuou 6,6% em comparação com os oito primeiros meses de 2025. O crédito comercializado especificamente para máquinas agrícolas foi estimado em R$ 15,48 bilhões, abaixo dos R$ 17,11 bilhões de um ano antes, o que representa redução de 9,5%.
Na direção contrária, o número de participantes aumentou. Em agosto, a ABAC estimou 477,55 mil consorciados de máquinas agrícolas, 3,8% a mais que os 460,12 mil de agosto de 2025.
O crédito ofertado aos consorciados do segmento também encolheu, passando de R$ 7,99 bilhões para R$ 7,65 bilhões no acumulado até agosto, queda de 4,3%. As contemplações, momento em que o participante conquista o direito de usar o crédito para comprar o bem, pouco mudaram: foram 31,68 mil, contra 31,97 mil no mesmo intervalo de 2025.
Outro dado da associação mostra que o tíquete médio das cotas de veículos pesados caiu de R$ 401,4 mil para R$ 223,92 mil entre agosto de 2025 e agosto deste ano, redução de 44,2%. A entidade usa esse valor também como referência para estimar o mercado de máquinas agrícolas.
De acordo com a análise publicada pela CNN Brasil, o quadro indica um mercado que continua ativo, porém com decisões de investimento mais cautelosas. O desempenho destoa do setor de consórcios como um todo, que somou recorde de R$ 389,6 bilhões em negócios de janeiro a agosto, alta de 24,2%.
Na prática, o consórcio continua sendo uma alternativa ao financiamento tradicional para quem precisa renovar ou ampliar as máquinas da propriedade. Mas a modalidade exige planejamento, já que o equipamento não é recebido logo após a adesão: é preciso ser contemplado para usar o crédito. A estabilidade no número de contemplações indica que o acesso ao crédito se manteve para quem já participa dos grupos. Para o produtor que pensa em entrar num consórcio, vale avaliar o tempo de espera e o peso das parcelas no orçamento da atividade.
Os números revelam um produtor mais seletivo na hora de investir em máquinas. Os próximos balanços do setor vão mostrar se esse ritmo mais lento se mantém até o fim de 2026.
FONTE:
CNN Brasil (Fernanda Pressinott), com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC)
