O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21), na rede social X, que o Uruguai autorizou o Brasil a usar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China. O governo chinês, porém, ainda não se manifestou oficialmente sobre a transferência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, em publicação no X nesta segunda-feira (21), que o Uruguai liberou para o Brasil a parte não aproveitada de sua cota de exportação de carne bovina para a China. Até agora, porém, não há confirmação oficial do governo chinês. Nem o Ministério do Comércio da China (Mofcom) nem a Embaixada da China se pronunciaram.
Desde janeiro de 2026, a China limita a quantidade de carne bovina que compra de cada país. A medida busca proteger os produtores chineses diante do preço mais baixo oferecido por grandes fornecedores, como o Brasil, e deve valer até o fim de 2028.
O Uruguai pode vender até 324 mil toneladas aos chineses em 2026 e 331 mil toneladas em 2027. Um levantamento do setor indica que, até meados de julho, o país havia usado menos de 30% desse limite, o equivalente a aproximadamente 97 mil toneladas. O número oficial ainda não foi divulgado.
A cota brasileira, de 1,1 milhão de toneladas, foi superada em cerca de sete meses, depois de uma corrida dos exportadores. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques para a China caíram de 158,3 mil toneladas em junho para cerca de 16,1 mil toneladas em agosto.
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que vê como positiva qualquer iniciativa que amplie o acesso ao mercado chinês. Para a entidade, porém, o efeito em 2026 deve ser limitado, por causa do tempo de negociação, embarque e transporte. Já em 2027, a medida pode ser uma alternativa importante, porque a cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas corre o risco de se esgotar nos primeiros meses do ano, se o ritmo de vendas continuar o mesmo.
Para quem cria gado de corte, inclusive no Maranhão e no Médio Mearim, a notícia merece atenção. A China é um grande comprador da carne brasileira, e o fim da cota já derrubou os embarques para lá nos últimos meses. Mais espaço para exportar tende a ser positivo para toda a cadeia da carne. Mas, por enquanto, nada está garantido: a mudança ainda depende do aval chinês, e o efeito neste ano deve ser pequeno, segundo a própria indústria. O mais prudente é acompanhar as próximas definições antes de mudar os planos de venda dos animais.
A sobra da cota uruguaia abre uma porta para a carne brasileira, mas a palavra final é da China. A confirmação oficial é o próximo passo a ser acompanhado.
FONTE: Rede Social X
