A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta terça-feira (15) o último levantamento da safra 2025/26. O país deve colher 361,7 milhões de toneladas de grãos e fibras, alta de 2,6% sobre o ciclo passado, puxada por soja e milho. Arroz, feijão e trigo recuaram.
O campo brasileiro encerra a safra 2025/26 com o maior volume já registrado. Segundo o levantamento final da Conab, divulgado nesta terça-feira (15) e noticiado pela CNN Brasil, a colheita deve somar 361,7 milhões de toneladas de grãos e fibras — 2,6% a mais que na temporada anterior e 0,3% acima da estimativa feita em agosto. O ajuste para cima veio principalmente do milho segunda safra, que rendeu mais do que se esperava no campo.
A soja é a locomotiva: 180,4 milhões de toneladas, maior produção da série da Conab, com alta de 5,2%. O milho, somando as três safras, chega a 144 milhões de toneladas, crescimento de 2%. O algodão também bateu recorde, com 4,14 milhões de toneladas.
Do outro lado, três culturas encolheram. O arroz caiu 13,2%, para 11,08 milhões de toneladas, com redução de 14% na área plantada. A Conab associa essa retração a preços pouco atrativos ao produtor e à troca do arroz por soja e milho. O feijão recuou 3,6%, somando 2,95 milhões de toneladas. O trigo teve a maior queda, de 27,1%.
A área plantada no país cresceu 1,7% e chegou a 83,5 milhões de hectares.
O Maranhão entra nessa conta pelo cerrado do sul do estado. Ainda no início do ciclo, em levantamentos de fevereiro e março, a Conab havia sinalizado atraso na janela de plantio e indicação de redução de área de milho segunda safra em estados como Maranhão e Goiás. Já no ano passado, o Porto do Itaqui movimentou 16,03 milhões de toneladas de soja, alta de 17%, segundo a presidente do terminal, Oquerlina Costa. Da região de Balsas saíram 3,98 milhões de toneladas de soja e 448 mil toneladas de milho pelo porto, e o sul do estado responde por 75% da produção agrícola maranhense.
Safra grande no Brasil costuma significar preço mais pressionado na porteira. Para quem planta soja e milho no cerrado maranhense, a lição é de gestão: com oferta cheia, quem vendeu bem e controlou custo sai melhor que quem só olhou a produtividade. Já para o produtor de arroz e feijão do Médio Mearim, o recado é outro: essas duas culturas encolheram no país inteiro, o que muda o jogo da oferta interna. Vale acompanhar de perto o preço pago pelo saco na região antes de decidir o plantio da próxima safra.
O número grande esconde movimentos diferentes: enquanto soja, milho e algodão bateram recordes, arroz, feijão e trigo perderam espaço. Quem decide o que plantar precisa olhar cultura por cultura, não só o total.
FONTE:
CNN Brasil (reportagem de Fernanda Pressinott), com base no 12º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab. Dados do Maranhão: comunicados da Conab (5º e 6º levantamentos) e Porto do Itaqui, via Jornal Pequeno.
