O frass, resíduo da criação de tenébrios, vem sendo testado há cerca de dois anos por pequenos produtores do cinturão verde de São Luís. O composto é desenvolvido pela Biofábrica, empresa maranhense apoiada pelo Sebrae, e já foi usado em hortaliças e em um plantio experimental de tomate.
Um subproduto da criação de insetos começou a virar adubo nas hortas da agricultura familiar do Maranhão. Trata-se do frass, material que sobra da criação de tenébrios, as larvas do besouro Tenebrio molitor, e que vem sendo testado por pequenos produtores do cinturão verde de São Luís.
O composto é desenvolvido pela Biofábrica, empresa que cria soluções a partir de insetos e que recebe apoio do Sebrae Maranhão.
No Cantinho da Agricultura, grupo formado por cinco mulheres, o produto já faz parte da rotina há cerca de dois anos. As produtoras aplicaram o frass em cultivos como alface, cheiro-verde, rúcula, quiabo, maxixe e pimenta, e passaram a notar diferença no desenvolvimento das plantas. Segundo a agricultora Eunice Marques de Souza, o cheiro-verde reage rápido depois da aplicação. Ela também relata melhora na sanidade das lavouras em comparação ao período em que usava esterco de galinha: “Depois que começamos a usar o frass, não dá mais o fungo”, afirmou, citando o caso da couve.
Uma das experiências de maior destaque foi um plantio experimental de tomate, com o produto cedido pela Biofábrica para avaliação em campo. De acordo com Armando Pacheco, sócio-diretor da empresa, o cultivo teve boa produção e boa aceitação, e a experiência, acompanhada de orientações de manejo, abriu caminho para novos testes com outras culturas. Os agricultores levaram os tomates para a feira, conforme relatou Eunice.
Armando cita ainda estudos da Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) sobre o uso do frass no tomate. Ele explica que o material tem nutrientes, matéria orgânica e compostos relacionados à quitina, substância presente na estrutura dos insetos, que durante a decomposição no solo podem participar de processos ligados aos mecanismos naturais de defesa das plantas. Os resultados seguem sendo acompanhados em diferentes ciclos e condições de cultivo.
Para quem tem horta e depende de adubo comprado ou de esterco, a experiência mostra um caminho de aproveitamento de resíduo dentro da própria atividade. O que está em teste no cinturão verde de São Luís é o uso de um material orgânico que nasce da criação de insetos, com relatos de boa resposta em hortaliças e em tomate. Vale acompanhar: o produto ainda está em fase de testes e observação em diferentes ciclos, e qualquer adoção deve vir acompanhada de orientação técnica sobre a quantidade e a forma de aplicação em cada cultura.
A lição que fica é que inovação no campo nem sempre vem de máquina cara: às vezes vem do aproveitamento do que antes era descartado. Quem quiser saber mais pode procurar o Sebrae no Maranhão para orientação técnica.
FONTE:
ASN Maranhão — Agência Sebrae de Notícias
