Relatório das Nações Unidas mostra que o mundo deve superar o limite de temperatura combinado internacionalmente, o que pode significar mais seca, mais chuva forte e mais praga atacando as lavouras e os animais
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) trouxe um alerta importante para quem vive da terra: o mundo deve ultrapassar, nos próximos anos, o limite de aquecimento de 1,5°C que os países combinaram respeitar no Acordo de Paris. Esse acordo é um compromisso assinado por vários países para tentar segurar o aumento da temperatura da Terra.
O estudo é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e foi divulgado nesta quarta-feira (2). Segundo o levantamento, mesmo no cenário mais otimista, a temperatura média do planeta deve chegar a 1,8°C acima do que era antes das fábricas e indústrias começarem a funcionar, no século 19. Na maioria dos outros cenários estudados, o aquecimento deve ser ainda maior.
Por que isso interessa para quem trabalha na roça
Para quem vive de plantar e criar animais, cada fração de grau a mais de calor no planeta representa mais risco. Isso porque a agricultura depende diretamente do clima, da água disponível e da qualidade do solo.
O aumento de eventos climáticos extremos — como seca prolongada ou chuva muito forte — pode mexer até no calendário de plantio e colheita. A seca reduz a água disponível para irrigar a lavoura e dar de beber aos animais. Já as chuvas intensas podem causar erosão, perda de solo e destruir plantações e estruturas da propriedade. O aquecimento também pode mudar onde e como as pragas e doenças que atacam as lavouras se espalham.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou atenção para os eventos climáticos já registrados neste ano ao afirmar que o calor forte, os incêndios e as enchentes deste ano são um aviso do que ainda pode vir.
Amazônia é um dos pontos de atenção
O relatório também chama atenção para o risco de o planeta ultrapassar o que os cientistas chamam de “pontos de não retorno” — ou seja, mudanças no clima que, uma vez que acontecem, são muito difíceis ou impossíveis de reverter. Entre os riscos citados está a degradação da Floresta Amazônica.
A Amazônia tem ligação direta com a produção de alimentos no Brasil, porque mudanças no funcionamento da floresta podem alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país — inclusive fora da região Norte.
O que muda na prática para o produtor
O relatório da ONU defende que os países e o setor produtivo invistam, ao mesmo tempo, em duas frentes: reduzir as emissões que aquecem o planeta e se preparar para as mudanças que já são esperadas. Para o campo, isso significa investir mais em coisas como manejo da água, tecnologias de adaptação ao clima, sistemas de produção mais resistentes e recuperação de áreas degradadas.
O documento também alerta que, mesmo que o mundo consiga reduzir a temperatura no futuro, parte das perdas causadas pelo aquecimento não poderá ser desfeita. Por isso, segundo o relatório, quanto antes as medidas forem tomadas, e quanto menor e mais curto for o período acima de 1,5°C, menores tendem a ser os prejuízos e os custos de adaptação para todo mundo, incluindo quem produz alimento no campo.
FONTE: CNN Brasil (com base em relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Pnuma)
