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Criação de bodes e carneiros ganha espaço no Maranhão como alternativa de renda no campo

Os rebanhos de caprinos e ovinos bateram recorde no Brasil, segundo o IBGE, e o Nordeste concentra a maior parte dos animais. No Maranhão, a criação aparece na Expoema 2026, em São Luís, e na nova Escola Técnica de Agricultura e Pecuária, que oferece capacitação ao produtor.

Quem tem um pedaço de terra pequeno e precisa de um dinheiro que entra com mais frequência costuma olhar para o mesmo lado: o chiqueiro do bode e o aprisco do carneiro. E os números mostram que essa conta tem feito sentido para muita gente.

De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2024, divulgada pelo IBGE, o rebanho brasileiro de caprinos chegou a 13,3 milhões de animais, alta de 3,1% em um ano. O de ovinos somou 21,9 milhões, com aumento de 0,3%. Os dois números são recordes da série histórica da pesquisa.

O peso do Nordeste nessa conta é decisivo: a região concentra 96,3% de todo o rebanho caprino do país e 73,5% do rebanho ovino. Bahia e Pernambuco lideram em ambas as criações — a Bahia responde por 31,6% dos caprinos e 23,5% dos ovinos, enquanto Pernambuco reúne 25,7% e 18,0%, respectivamente.

Um estudo publicado na revista Veterinária e Zootecnia traçou o perfil da atividade na região sul do estado. Os pesquisadores entrevistaram produtores e encontraram propriedades com média de 146 hectares, rebanho médio de 46 cabeças de ovinos e 51,4 de caprinos.

O retrato é de uma criação voltada principalmente à carne, com características de subsistência, baixo nível tecnológico e forte demanda por assistência técnica. Ou seja: o animal está lá, o mercado existe, mas falta o passo da organização técnica para virar negócio de verdade.

É justamente nesse ponto que entram os eventos em andamento. A Expoema 2026, maior exposição agropecuária do estado, que se encerrou ontem em São Luís, com o tema “O Agro em Movimento”, reuniu mais de 80 cursos, palestras e capacitações, além de exposição e comercialização de animais.

O bode e o carneiro têm três vantagens que pesam no bolso de quem tem pouca terra: exigem menos área que o boi, chegam ao ponto de venda mais rápido e permitem vender aos poucos, garantindo dinheiro circulando na propriedade. Uma reportagem do Sistema Faep/CNA mostrou um produtor paranaense que abate os animais entre 35 e 40 quilos, de quatro a cinco meses de idade, com lucro em torno de R$ 200 por cabeça. Os números variam conforme região, manejo e mercado, mas servem de referência para quem quer fazer a conta antes de começar.

O gargalo apontado pelo estudo no sul do Maranhão é o mesmo em quase todo lugar: manejo sanitário, alimentação no período seco e organização para vender. Curso e assistência técnica resolvem boa parte disso — e, neste momento, estão disponíveis de graça.

Quem pensa em começar ou melhorar a criação deve procurar o sindicato rural do município, o Senar e a Sagrima para entrar nas capacitações. E lembrar sempre: animal só sai da propriedade com a documentação sanitária em dia junto à defesa agropecuária estadual.


FONTES:
IBGE — Pesquisa da Pecuária Municipal 2024 (Agência IBGE de Notícias); revista Veterinária e Zootecnia (caracterização do sistema de produção caprino e ovino no sul do Maranhão); O Imparcial e Diário Sul Maranhense (Expoema 2026 e Escola Técnica de Agricultura e Pecuária); Sistema Faep/CNA Brasil (dados de produtividade e rentabilidade da ovinocultura)

Redação

Agro101

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